Todos seguindo suas vidas, eu também tenho seguido a minha, mas parece que eu e a humanidade estamos em caminhos opostos. A cada dia que passa me sinto mais sozinha. Eu não tenho com quem conversar. Não uma conversa de verdade. Não a conversa de silêncios constrangedores, de grandes justiceiros. Eu quero fisico. O pensamento depois de um tempo já não sustenta mais. Eu queria sentar e conversar com alguém, mas eu não tenho nem o que dizer. Falar é abismo, e eu estou muito perdida para me perder de vez. É tudo intenso, tão em mim, dentro e fundo em mim. Me rasga. É difícil expressar isso, mal consigo me explicar. Eu queria só sentar ao lado, muda, eloquente no olhar de quem implora e espera algo, e ouvir. Pequenos gestos, toda diferença. Queria sentir o cheiro da vontade de estar presente, sentir nos braços o calor do acolhimento. Minha paz. Me sentir junto, protegida. Queria que alguém entendesse o meu silêncio e falasse a palavra que mudaria tudo, aquela que me incluísse de verdade em alguma vida, me tirasse de mim. Mas ninguém diz, e tudo permanece igual, único. Tudo é tão oposto, é difícil ter direção. Eu quero carne, osso, voz e sentimentos. Verdade, mudança. O que me entristece é pensar que todo mundo tem algo melhor para fazer do que conversar comigo. E eu só quero ouvir qualquer voz que me liberte. E eu só quero ouvir.