Sabe quando a gente se quebra, assim, em mil pedacinhos? Quando a gente se coloca inteira nas mãos do outro, deixa de lado as defesas, as máscaras, tudo aquilo que a gente vai construindo ao longo da vida pra não deixar os outros chegarem tão perto, tão perto que a gente não consiga mais virar as costas sem morrer um pouquinho por dentro, e aí de uma hora pra outra, sem pedir licença, sem um aviso do tipo “dá um tempo, arruma aí um salva-vidas pra se apoiar que tô indo ali e não volto”, sem uma palavra, nada. Você quase nem acusa o golpe, de repente abre os olhos e já tá lá no chão, tudo meio dolorido, não anotou a placa do caminhão que te atropelou e não tem ninguém do lado pra te ajudar a levantar. Não que seja a primeira vez que isso me acontece, na verdade eu até já perdi as contas do tanto de vezes que me deixaram escapar pelo meio dos dedos e eu dei com a cara no chão sem saber muito bem porque. Na verdade eu devia já ter aprendido alguma coisa, sabe como é, a experiência, mas não. É que eu acreditei que com você ia ser diferente, sabe, por um minuto, eu.