Me quer ? Não me quer ?
As mãos torcidas os dedos despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso e espero que eu jamais alcancea impudente idade do bom senso
Passa da uma você deve estar na cama
Você talvez sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te com o relâmpago de mais um telegrama
O mar se vaio mar de sono se esvai
Como se diz:
o caso está enterrado a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado da mútua dor mútua quota de dano
Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama como
se diz o caso está enterrado a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu em horas como esta
eu me ergo e converso com os séculos a história do universo
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro
Às vezes as relegam inauditas inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa ressoa os séculos
e os trens rastejam para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça.
Maiakovski